Mel surge como alternativa de renda em assentamento
Empresas & Negócios | 25/06/2012

A assentada Lázara Batista, de 45 anos, prometeu para si mesmo que um dia daria uma vida melhor aos filhos e netos por meio do trabalho no campo. As mãos calejadas e a pele queimada pelo sol dão mostras de que ela não esmorece no serviço, mesmo com as dificuldades da carpina, da ordenha diária de leite das vacas e, mais recentemente, com a captura de abelhas no Cerrado para produção de mel.

“No assentamento, o carro-chefe da nossa subsistência é a venda de leite. Mas tenho plena consciência de que a apicultura vai modificar esse panorama. Muito em breve teremos uma mudança para melhor na nossa renda”, afirma Lázara, que é integrante da Cooperativa de Produção Agroindustrial Familiar do Sudoeste Goiano (Coopfas), criada para gerir o novo negócio.

Lázara, que a duras penas conseguiu se formar em Tecnologia de Alimentos pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), reside no Assentamento Rio Claro, em Jataí (a 300km de Goiânia). Ela e outras 12 mulheres – parte delas do Assentamento Santa Rita, no mesmo município – integram a Coopfas e se dedicam à produção do mel.

O projeto ‘Apicultura: Desenvolvimento Sustentável’ teve início em dezembro de 2010, após Lázara ter feito a inscrição do mesmo em concurso do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). A produção artesanal de mel foi selecionada pelo organismo internacional e a cooperativa ganhou prêmio de R$ 25 mil.

“Pegamos o dinheiro e compramos os equipamentos para produção de mel, além de contratarmos um consultor especializado em apicultura para nos dar treinamento”, explica Lázara. Hoje, o projeto sobrevive graças à persistência e o sonho das assentadas, pois o dinheiro arrecadado com a primeira e única colheita, R$ 8 mil, em setembro do ano passado, foi totalmente reinvestido na cooperativa (capital de giro).

“Era para termos uma colheita agora, em maio (safrinha), mas choveu muito na nossa região e atrapalhou a produção das abelhas”, conta a assentada, mas sem se resignar. “Sabemos que o projeto vai dar lucro, vai demorar um pouco, mas vai dar lucro. Mesmo trabalhando há mais de um ano sem retorno financeiro para as famílias, o mel mostrou para nós que somos capazes. Quando unidas e com força de vontade para o trabalho podemos superar qualquer desafio”, emendou.

Carro-chefe

Para o mel se tornar o carro-chefe dos dois assentamentos e justificar as picadas em meio ao Cerrado durante o processo de captura das abelhas, a Coopfas precisa colher 1,5 tonelada do produto por ano. Em setembro passado, as abelhas produziram 200 quilos. Este ano, na melhor das expectativas, a produção deve alcançar 300 quilos.

Por isso, as assentadas estão investindo dinheiro do próprio bolso na apicultura – cursos para aprender mecanismos para agregar valor ao mel. Hoje, no entreposto de Jataí, elas obtêm entre R$ 5 e 6 por quilo. Se conseguirem envasar o mel no próprio assentamento, com selo sanitário, o preço sobe para R$ 20. Hoje, apesar das dificuldades, as cooperadas já produzem barra de cereal, xampu e creme para os cabelos e spray bucal.

(Warlem Sabino-AS/GO)

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