Cerca de 500 pacientes são atendidos por mês pelo Centro Integrado Médico Pedagógico, da Secretaria da Saúde. Os atendimentos são feitos a alunos de três a 18 anos de idade. Na maioria dos casos, o déficit de aprendizado é consequência de um trauma emocional, como abuso sexual. Os pais dos pacientes também recebem orientações. Segundo a diretora Celma Damas (foto), os resultados têm sido satisfatórios, uma vez que os pais declaram lidar com os problemas dos filhos de maneira mais sábia. O Cimpe funciona no Parque da Criança, ao lado do Estádio Serra Dourada, em Goiânia.
Como funciona o Centro Integrado Médico Pedagógico?
Celma Damas - O Cimpe faz parte da Secretaria da Saúde, atuando na saúde mental. Ele atende crianças e adolescentes de três a 18 anos que apresentem dificuldades de aprendizado. Eles desenvolvem várias atividades que ajudam a melhorar a concentração, a socialização e a relação entre estudantes e pais. A família do estudante também participa do tratamento.
Quais são os profissionais que constituem o Cimpe?
Celma Damas - Nós temos uma equipe formada por psicólogos, neurologistas, neuropediatras, fonoaudiólogos, psiquiatras, assistentes sociais e pedagogos. É importante salientar que não substituímos o trabalho escolar, mas, por meio de um diagnóstico prévio, trabalhamos com os motivos do déficit de aprendizado.
Como os pais podem encaminhar seus filhos ao Centro Integrado?
Celma Damas - O atendimento pode ser feito por meio da Central de Vagas do Sistema de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde. O filho (paciente) passa por uma unidade de saúde básica e ela, por sua vez, cadastra-o na Central de Vagas. Isso vale para Goiânia e todas as outras cidades do interior do Estado. Atualmente, o centro atende de 450 a 500 pacientes por mês. Cada um é atendido uma vez por semana.
Quais são os quadros mais comuns entre os pacientes?
Celma Damas - Todos apresentam dificuldades no aprendizado. Mas constatamos que isso é apenas uma consequência de um distúrbio emocional, muitas vezes grave. As crianças geralmente sofreram um trauma emocional, outras foram abusadas sexualmente. Na maioria delas, os pais não percebem mudanças drásticas no comportamento, achando algumas pequenas modificações normais. A escola é a primeira a detectar o distúrbio, já que a criança deixa isso claro em suas dificuldades escolares.
Qual a importância da extensão do tratamento aos pais?
Celma Damas - Muitas famílias dos alunos são desagregadas, passam por problemas financeiros graves ou têm que administrar algum parente viciado em drogas. Então, não adianta tratarmos o filho, se o pai não sabe lidar com o problema em casa. Além disso, eles precisam de tratamento com psicólogo e psiquiatra. Enquanto o filho está recebendo orientações individuais ou em grupo, os pais são orientados em outra sala. Hoje, podemos documentar vários depoimentos de pais que afirmam dar conta de lidar com a situação com sabedoria. Até lançamos um livro de receitas culinárias feito por pacientes e familiares. Os pais trocavam receitas entre si e a ideia surgiu. Fizemos até um concurso para as ilustrações dos livros.
Após o tratamento a criança é acompanhada?
Celma Damas - O Cimpe também atua de forma institucional. Na medida em que a criança é atendida, nós passamos a assisti-la na escola. Também orientamos os professores, na forma de como trabalhar com a criança. Temos também o controle do desempenho escolarar. É um trabalho em conjunto.

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