“A Vila não é rica, mas oferece o melhor que tem aos pacientes”

Irmã Vanyr, diretora administrativa da instituição filantrópica discute processo de profissionalização das atividades e ressalta o papel da comunidade na manutenção e ampliação dos serviços prestados

Desde setembro do ano passado a Vila passa por detalhada consultoria. Qual a importância desta ação no processo de profissionalização dos serviços prestados?
Irmã Vanyr - Na parte administrativa a consultoria vem nos dar um novo organograma que ajuda na distribuição das diversas tarefas da Vila. E também essa consultoria é capaz de levantar os pontos mais frágeis da Casa e os pontos mais fortes.

Isto tanto na parte administrativa, quanto hospitalar e de enfermagem?

Irmã Vanyr -
Tudo. Quando falo na parte administrativa na verdade estou englobando o hospital inteiro. A Vila é um grande hospital. Quando nos referimos à administração é a administração completa dos pacientes internos, externos, ambulatório, centro cirúrgico e todas as terapias que aqui são realizadas, sem distinção.

Quais os motivos levaram o Hospital São Cottolengo a ser uma referência na região?

Irmã Vanyr -
Primeiro, a qualidade dos serviços que ele oferece. Os profissionais que aqui atuam são gabaritados. Segundo, pela atenção que se dá ao nosso cliente, ao paciente que vem aqui. Todo o trabalho, feito com empenho, faz com que o Hospital São Cottolengo seja considerado referência no atendimento em medicina física, auditiva e de reabilitação.

E quais as principais necessidades da casa hoje?

Irmã Vanyr -
Posso dizer que a principal necessidade é continuar com grande número de profissionais. Quando eu falo de profissionais são todos os colaboradores. Segunda necessidade é de a Vila se tornar conhecida também como uma entidade que necessita da ajuda do povo, empresários, daqueles que tem o coração voltado para a caridade, para nos ajudar financeiramente. Porque uma instituição financeiramente equilibrada pode produzir mais, pagar bons salários, ter boas condições e bons propósitos para aqueles que colaboram conosco.

E para a Festa de Trindade, como tem sido a preparação?

Irmã Vanyr -
A preparação tem sido bem intensa. Queremos acolher bem os romeiros e oferecer a eles alguns meios de recreação, descontração e de perceberem o que é feito aqui dentro da Vila. Mas tudo isso requer bastante organização e empenho da equipe. Queremos também oferecer aos visitantes algum souvenir fabricado por nós, peças artesanais e isso tudo está sendo preparado. Esperamos que haja mais visitas que no ano passado e que os romeiros levem com eles essa alegria de ter visitado o Santuário do Irmão. Quem vem para visitar o Santuário do Pai, onde temos o Divino Pai Eterno como o grande homenageado nesta festa, pode também lembrar dos filhos do Pai Eterno nesta ocasião.

Muitos contribuem com a Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe) achando que a doação é destinada automaticamente para a Vila, talvez pelo padre Robson de Oliveira ser tanto reitor do Santuário Basílica quanto presidente da Casa. A senhora nota alguma perda nesse sentido?

Irmã Vanyr -
Eu não vejo perda alguma, porque o que é feito para o Reino de Deus se estende, não tem distinção. O que percebo é que a Afipe tem suas obras sociais e mantém todo um sistema de televisão, de comunicação, como a Vila também mantém de modo especial os nossos 365 internos permanentes. São duas entidades bem distintas e uma nunca vai prejudicar a outra de forma alguma, porque a Vila é consequência da Festa de Trindade. A Vila é fruto da Romaria do Pai Eterno e, se ela é fruto, o Pai Eterno não vai deixar que seu fruto seja prejudicado.

Durante o período eleitoral muitos candidatos passam a visitar a Vila, uma instituição com mais de 700 funcionários. Como lidar com essas situações?

Irmã Vanyr -
Nós lidamos de modo bastante maduro e acolhemos a todos. Promessa nós não fazemos. E aqueles que são a favor da Vila são sempre a favor da Vila em qualquer época e em qualquer situação. Acolhemos sempre com o espírito cristão e de quem quer realmente que o Brasil, a cidade, nosso povo, nós mesmos, sejamos bem administrados e bem servidos por esses que querem trabalhar em favor, quer seja da cidade ou do estado.

Em Trindade ainda permeia a imagem de que a Vila é rica e não precisa de doações. Como é isso?

Irmã Vanyr -
Talvez por oferecer o melhor que ela tem aos pacientes internos. Nós não misturamos falta de higiene, falta de alegria, falta de bem estar com ter ou não ter dinheiro. Para nós, ter higiene, bem estar, condições para que nossos internos sejam bem atendidos, é primordial. Então, se alguém confunde isso com riqueza, é algo difícil tirar. A Vila é uma entidade filantrópica. Tudo que nós temos reverte em favor da própria entidade. Nós não temos sócios, não dividimos algum lucro. Então é por isso que a Vila pode crescer, do pouquinho que ela tem ela vai crescendo, mas nós não temos riqueza, porque riqueza é ter acumulado algum bem, nós não temos. Neste sentido a Vila é muito pobre, porque vivemos o dia-a-dia, e para manter as nossas contas em dia a gente sofre muito. A Vila não é rica, mas oferece o melhor que ela tem para nossos pacientes internos, para os deficientes, que são os mais queridos para Jesus Cristo.

Sequinhas


- O Programa Anápolis Sem Miséria já está em vigor. São mais de 70 projetos e serviços que visam combater a desigualdade social na cidade.

- Guapó deve terminar esta semana a entrega de 745 pares de cadeira e mesa para a rede municipal de ensino. A renovação deve atender os próximos cinco anos.

- A programação junina em Inhumas contemplará todo o mês de junho. A Secretaria de Educação organizou as atividades de forma a não chocar datas entre as escolas.

- Bela Vista de Goiás realizou na sexta-feira, 18, sua I Conferência Municipal de Cultura. O encontro resultou na escolha de delegados para o encontro estadual.

- Do dia 4 de julho ao dia 30 de setembro será realizada a 27ª Taça Cidade Nerópolis de Futebol. Dez equipes disputarão o torneio amador.

- O prefeito de Aparecida, Maguito Vilela (PMDB), marcou presença no evento Dia Nacional da Ação Voluntária, realizado pela Fundação Bradesco.

- A pavimentação da rodovia que liga Trindade e Abadia de Goiás deve ser novamente usada nos discursos de campanha, mas os moradores já cansaram de promessas.

- Por falar em rodovia, as pistas ainda não liberadas da duplicação da BR-060 têm sido usadas irregularmente por motoristas. A chance de acidentes é grande.

- A presidente Dilma Rousseff vetou a venda de remédios que não exijam prescrição médica em supermercados, armazéns, empórios, lojas de conveniência e similares.

- O Governo Federal prepara uma política nacional de agroecologia e produção orgânica para ampliar para 300 mil, até 2014, o número de famílias envolvidas no plantio.

Aciat de portas abertas

A Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Trindade (Aciat) marcou território na cidade com a inauguração da sede própria. Com espaço amplo e bem localizado, a entidade oferece a seus associados local propício para a realização de solicitações, promoção de encontros e reuniões. Um suporte que a classe almejava e que agora está à disposição.

A inauguração, na terça-feira, 15, contou com a presença de vários companheiros classistas, líderes de outras entidades, parlamentares e um número expressivo de empresários da cidade. O discurso da noite girou em torno da união para o fortalecimento do segmento.

Presidente da Aciat, Caio Flávio, o Caio da Hobby Shopping, reforçou o apoio que recebeu para a estruturação da sede, hoje na Avenida Manoel Monteiro, próxima ao Ginásio de Esportes Amando Grecco. Com o espaço concluído, a expectativa é de que um número expressivo de empresários se filiem. “Acredito fielmente no sucesso de nosso trabalho. Somos uma força diferenciada para um empresário que também está diferente”, frisou o presidente.

Cooperativa de catadores de casa nova

Em fase de reestruturação, entidade abre escritório em região estratégica da cidade. Ministério Público e gestores sociais apoiam o projeto de coleta seletiva

O começo não foi nada fácil. Por ingerência e má fé dos antigos diretores da entidade, o que deveria ser um exemplo de cooperativa se tornou caso de polícia. Passado os contratempos, a fase é de reestruturação e consolidação dos trabalhos de coleta seletiva dos resíduos sólidos em Trindade. Com o apoio do Ministério Público (MP) e de gestores sociais, toda a documentação necessária ao funcionamento foi regularizada, de maneira que a instituição pode agora buscar respaldo financeiro junto aos governos municipal, estadual e federal.

Para dar suporte a todas as iniciativas da Casa, foi montado próximo à Rodoviária, um escritório. O espaço é destinado tanto para catadores quanto para as comunidades que desejem saber mais informações sobre o grupo. Apoiador do projeto, o promotor da Comarca de Trindade Eudes Bomtempo explica que a cooperativa foi formada ainda na gestão do então prefeito George Morais, como forma de acabar com os lixões. A Prefeitura criou à época um espaço no Setor Cristina para destinação do material reciclável, porém “nunca funcionou no sistema de cooperativismo”.

Colaboração - Sensível à causa, o promotor se prontificou a colaborar com a reestruturação da cooperativa. “Por meio dela é possível realizar trabalho social e ambiental muito bom. Queremos dar a oportunidade para os catadores mudarem de vida.” Para isso, além da regularização da documentação, empresários foram convidados a colaborar. “A Coca-Cola, por exemplo, já se comprometeu em disponibilizar todo o equipamento de proteção individual necessário aos trabalhos”, observa o promotor.

Presidente da entidade, Marizete Borges de Lima conta que há um ano vem recolhendo material reciclável na cidade e, com o dinheiro arrecadado, tem pago principalmente, débitos do passado. “Assumi a cooperativa em junho de 2011 e ela tinha cerca de R$ 70 mil em dívidas. Além disso, haviam levado todo o equipamento como prensa, esteira de separação e balança.”

Com apoio de parceiros, a instituição aos poucos vai se reerguendo. Hoje já contam com dois caminhões para a coleta e um Saveiro com carretinha. “Precisamos agora limpar a imagem da cooperativa junto aos associados. É um trabalho lento, mas que virá acompanhado de ótimos resultados para todos”, reforça a presidente.

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