No ano passado pode-se dizer que uma espécie de comédia de erros afetou o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), o que acaba de provocar mudanças no comando do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão responsável pela preparação e aplicação do exame. Milhares de estudantes são sacrificados quando ocorrem tais falhas.
O comando do Inep acaba de ser confiado a uma reitora, portanto alguém que lida com o lado do ensino e, com uma visão de pedagoga e, em princípio, com experiência para conferir ao processo um andamento mais seguro.
Mas nada assegura que já se tenha garantido a superação dos equívocos. O equacionamento do problema apenas começou.
Há um problema correlato e que já se manifesta grave, que é o do impasse que trava as inscrições no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usa notas do Enem para selecionar mais de 80 mil estudantes para as universidades federais.
O Ministério Público de dois Estados pediu a interrupção do funcionamento do Sisu até a divulgação do resultado definitivo da prova do Enem, pois os candidatos reclamam da dificuldade em acessar os sistemas do Ministério da Educação.
Agrava ainda mais o impasse o fato de que muitos estudantes que se sentiram prejudicados ingressaram com ação na Justiça Federal para pedir vista do espelho das folhas de respostas do último exame. Vê-se, portanto, uma situação que pode estar criando ameaça ao próprio funcionamento do Enem.

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